Carros elétricos na garagem — o síndico que não se preparar vai perder a pauta
Cerca de 100.000 veículos elétricos foram emplacados no Brasil só em 2024. A questão não é mais "se" os condomínios vão precisar lidar com isso — é "quando" e, principalmente, "como". Em boa parte das assembleias de 2025 e 2026, o tema já apareceu. Em muitas, sem que o síndico estivesse preparado para conduzir.
Improvisação em assembleia sobre um tema com implicações elétricas, estruturais e jurídicas sai caro.
O que a lei já define
Em São Paulo, a Lei 18.403/2026 garante ao condômino o direito de instalar carregadores em vagas privativas — independente de aprovação em assembleia para a instalação em si. O que a assembleia ainda delibera são as questões de infraestrutura compartilhada: reforço da rede elétrica, medição individualizada de consumo e rateio de custos.
A norma técnica SAVE (Sistema de Abastecimento de Veículos Elétricos), em vigor desde fevereiro de 2026, define os requisitos mínimos de segurança e instalação. Contratar um instalador sem certificação SAVE expõe o condomínio a risco elétrico e invalida o seguro predial.
O que o síndico precisa decidir — e em qual ordem
O erro mais comum é levar à assembleia uma votação sobre "instalar ou não carregadores" sem ter as respostas técnicas e financeiras que os condôminos vão perguntar.
1. Laudo elétrico
Antes de qualquer votação, contratar engenheiro eletricista para avaliar a capacidade da rede atual e o custo de reforço. Sem esse número, a assembleia vota no escuro.
2. Modelo de medição
Medidores individuais por vaga ou rateio proporcional pelo consumo total? Cada modelo tem implicações de custo de instalação e de conflito futuro entre condôminos.
3. Política de uso
Quem pode instalar, em quais vagas, com quais especificações técnicas e quem arca com o custo de manutenção. Isso vai para convenção ou regulamento interno.
Preparar a assembleia é o trabalho invisível que decide o resultado

Síndicos que chegam com o laudo elétrico em mãos, dois ou três modelos de medição comparados e uma minuta de política de uso conduzem a discussão. Os que chegam sem isso ficam na defensiva enquanto condôminos com carros elétricos pressionam e os demais resistem sem entender o custo real.
A plataforma ASC centraliza a gestão do processo assemblear — pauta, deliberações e registro de decisões — para que nada se perca entre a preparação e a ata final.
O condomínio que tratar isso como urgência vai sair na frente
Condomínios que aprovarem uma política clara agora evitam o caos de lidar com instalações improvisadas, disputas de consumo elétrico e reformas emergenciais de rede nos próximos anos. A demanda vai crescer — a única variável é se o seu condomínio vai estar preparado ou vai correr atrás.
Referência: Gestão Condominial 2026: o condomínio como empresa — Gouvea Marin
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